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23/11/2009

Grafitemas na Folha

 http://www1.folha.uol.com.br/folha/livrariadafolha/ult10082u656082.shtml

23/11/2009 - 08h30

BALADA LITERÁRIA: Grafite e Poesia Visual marcam exposição de Dulcinéia Catadora

PAULA DUME
Colaboração para a Livraria da Folha
Uma instalação com 11 peças --1m10cm de altura, com quatro faces, de diâmetro de 1m30cm--, montada por 15 participantes. A mostra "Grafitemas" de grafite e poesia visual, coordenada pela editora independente Dulcinéia Catadora, foi inaugurada no último sábado (21), durante a 4ª Balada Literária, na entrada da Biblioteca Alceu Amoroso Lima (av. Henrique Schaumann, 777, Pinheiros, região oeste de São Paulo).
Conheça a história do Coletivo Dulcinéia Catadora
Em entrevista à Livraria da Folha, Lúcia Rosa, 55, artista plástica e coordenadora da Dulcinéia, disse que a montagem é uma espécie de extensão das oficinas de poesia visual e grafite que o Coletivo organizou na própria biblioteca. Os grafiteiros tiveram dois modelos de oficinas. A primeira foi direcionada para o repertório da poesia visual e evidenciou a prática. Já a segunda, era fazer grafite em papelão, matéria-prima da editora, para fundir poesia visual com a arte do desenho. Houve assim, uma mistura de linguagens na instalação. Enquanto um grafiteiro compunha uma peça, o outro complementava a obra com colagens de papel vegetal, por exemplo.
s grafiteiros convidaram outros amigos para participar das oficinas o que ampliou, de certa forma, a extensão e a troca de experiências entre eles. As oficinas abordaram do poeta francês Stéphane Mallarmé ao escritor brasileiro Paulo Leminski. Os encontros procuraram mostrar que a folha do livro tinha uma intenção e um significado. "A folha poderia ser vista como uma parede", completou a artista plástica.
Poesias digital e sonora também foram discutidas nas oficinas. Lúcia quis mostrar aos garotos como as palavras podem ser pensadas de formas distintas nos desenhos. Os grafiteiros perceberam que palavras como "amor" e "paz", usualmente utilizadas em seus desenhos, possuíam um significado além do que imaginavam. "No painel de borboletas, o menino segmentou um pouco a palavra. Ele percebeu que pode usá-la de outras formas", exemplificou a coordenadora.

Lúcia pretende fazer uma itinerância com a instalação. "Para onde ela for, posso propor uma mesa de reflexão sobre o trabalho, sobre o amadurecimento com a palavra, e incorporar o trabalho na linguagem do dia a dia", explicou. "Grafitemas" foi montada na quarta-feira (18), e permanecerá na biblioteca até 12 de dezembro.

22/11/2009

NOVACIDADE


Esta é a outra parte executada por mim da instalação "Grafitemas", realizada pelo Coletivo Dulcinéia Catadora, na Biblioteca Alceu Amoroso Lima.

GRAFITEMAS



Ontém foi a abertura da exposição Grafitemas, na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, com a instalação realizada nas Oficinas organizadas pelo Coletivo Dulcinéia Catadora. Veja a montagem final do trabalho.

21/11/2009

PLURESIA


Capas do livro "Pluresias", resultado da Oficina de Poesia Concreta, coordenada pelo Coletivo Dulcinéia Catadora, que aconteceu na Biblioteca Alceu Amoroso Lima



GILBERTO DIMENSTEIN escreveu na Folha de São Paulo, do dia 18/11, sobre o trabalho desenvolvido pela  coordenadora do Coletivo Dulcinéia Catadora, Lúcia Rosa:

Poesias de concreto
"Um dos garotos disse que pensava que poesia era aquilo meloso que se escreve para a namorada"

ATÉ esta semana, aquele grupo de 15 grafiteiros jamais imaginaria que um amontoado de palavras soltas, espalhadas pelo papel, sem formar uma frase, também poderia ser chamado de poesia. Viram, ali, algo parecido com as letras que desenham nos muros -e, assim, Lúcia Rosa apresentou-lhes o movimento concretista. "Eles estão aprendendo que existem diversas formas de fazer poesia."

O resultado dessa mistura será apresentado numa biblioteca no próximo sábado, durante a Balada Literária -esse evento se espalha pelos mais diferentes pontos da Vila Madalena, dos botecos, passando por centros culturais, até livrarias. É uma extensão geográfica do que já ocorre quase todas as madrugadas na Mercearia São Pedro.

Os grafiteiros vão exibir na biblioteca Alceu Amoroso Lima, especializada em poesia, livros artesanais com a mescla de objetos, palavras, cores e desenhos, numa experiência que Lúcia Rosa chama de poesia visual. "Um dos garotos disse que pensava que poesia era aquilo meloso que se escreve para a namorada."

A experiência -batizada de poesia visual- é uma espécie de síntese da própria Lúcia, que, aos 9 anos de idade, ganhou um prêmio na escola pública em que estudava e o direito de fazer um curso livre na Faap (Fundação Armando Alvares Penteado). Começaria aí uma de suas grandes frustrações.

Queria estudar artes plásticas, mas a família não gostou da ideia.
Concedeu e fez Letras na USP. Daí tirou seu sustento, com traduções do inglês.
A união da literatura com as artes plásticas começou a surgir em 2007, quando já estava com 54 anos. Convidou moradores de rua e carroceiros para fazer a capa de livros, a partir dos papelões jogados fora. Lúcia pedia textos exclusivos a escritores -o poeta Manoel de Barros foi um dos que se propuseram a entrar nessa editora, batizada de "Dulcineia Catadora".

Lúcia montou sua oficina-editora num galpão grudado em um beco, onde grafiteiros expõem suas obras. Seu espaço era todo decorado com as capas dos livros, tão coloridas quanto os muros do lado de fora. A combinação de cores ajudou nos contatos, trazendo, nesse encontro, personagens improváveis como os poetas concretistas, desconhecidos dos grafiteiros, para quem concreto era o muro em que pintavam.

Durante as oficinas, eles foram descobrindo como fazer um livro -e, mais do que isso, aprenderam que seus muros, feitos de concreto, espalhados pelas esquinas da cidade de São Paulo, também são uma forma poética.

Não é por outro motivo que essa forma de arte entrou, nesta semana, pela porta da frente no Masp (Museu de Arte de São Paulo) e está atraindo milhares de pessoas para uma exposição da Faap -onde, aliás, aos 9 anos, Lúcia começou a montar seu projeto de vida.

19/11/2009

GRAFITEMAS


Essa é a minha colaboração com a instalação Grafitemas,  desenvolvida pelo Coletivo Dulcinéia Catadora, na Biblioteca Alceu Amoroso Lima. Parte da Balada Literária que acontece até domingo em vários locais da cidade, a exposição será aberta a partir das 14h, dia 21, sábado. O endereço é avenida Henrique Schaumann, 777, Vila Madalena.